Jardim da Praça do Império


Arquitectura Paisagista HAHA Arquitectura Paisagista / Sebastião Carmo-Pereira
Design Marta Correia
Águas e Esgotos ECWS

Local Lisboa, Portugal
Data 2016


Cartaz 1


O concurso público de concepção para a elaboração do Jardim da Praça do Império foi lançado pela Direcção Municipal de Estrutura Verde, Ambiente e Energia da Câmara Municipal de Lisboa.

A proposta do Jardim da Praça do Império pretende retomar o espírito do projeto original de Cottinelli Telmo e Vasco Lacerda Marques, adaptando o Jardim aos desafios e limitações da atualidade. O projecto inicial é orientado por princípios de uma grande simplicidade, de um forte carácter geométrico e de despojamento ornamental e decorativo.
Procura-se fazer uma síntese dos elementos que surgiram com as alterações que decorreram ao longo dos 75 anos do Jardim. Pretende-se recuperar algumas das características originais em detrimento das alterações que empobreceram o espaço e lhe retiraram a identidade atribuída por Cottinelli Telmo.

As principais alterações propostas na geometria do espaço prendem-se com a recuperação da riqueza espacial do Jardim da Praça do Império e sua adequação à apropriação e vivência de espaço público.
“Um moldura larga e simples e um centro rebaixado” (Cottinelli Telmo, 1939) aberta ao Tejo e definida pelo Mosteiro dos Jerónimos, através dos seus eixos perpendiculares ao monumento.

No que toca ao centro rebaixado, os vestígios dos brasões serão removidos dos relvados que rodeiam a fonte luminosa. O relvado onde estes se inserem é aberto com a remoção da sebe de murta da sua parte inferior, de forma a permitir a sua utilização para estadia. A sua exposição solar privilegiada, a proximidade dos elementos de água e o seu desnível em relação às ruas circundantes dota este espaço de um elevado potencial para a fruição.

As fiadas triplas de alinhamentos de árvores nas laterais, anteriormente removidas, serão repostas. Este arvoredo, de grande importância ao nível da adequação da escala do espaço, procura reforçar o dramatismo do jogo de água da fonte luminosa, protegendo dos ventos a água vaporizada pelos repuxos. O canteiro composto por um relvado com uma sebe talhada de murta, que rodeia a fonte central, deverá ser removido. Esta intenção da proposta permite a aproximação das pessoas ao elemento de água, criando uma situação de maior relação com o elemento central do Jardim.

Na moldura, os eixos laterais perpendiculares ao monumento recuperarão a sua importância, estabelecendo a relação entre o Mosteiro dos Jerónimos e o Rio Tejo. No topo Norte do jardim, no limite com o monumento, o caminho central do Jardim é novamente encerrado, devolvendo a primazia à força do eixo Nascente-Poente, enaltecida através da tripla fiada de árvores plantada junto da fonte luminosa.

A rua existente entre o Jardim da Praça do Império e a Av. Brasília receberá um grande passeio pedonal. Esta ligação generosa permite articular a Praça do Império através da passagem inferior com o Padrão dos Descobrimentos. Neste espaço, que define o limite do jardim articulando-o com a malha urbana, será plantado um denso juncal, que lhe atribuirá uma natureza orgânica que remete para uma paisagem costeira antiga do local.